Filme: Requiem para um sonho
Música: Caetano e João Gilberto - Menino do rio
..ao cassio...euheuehuh
Um, dois, três...
Eu queria fazer uma cronica como uma valsa antiga. Que rodopiasse pela página como, digamos, um velho comendador de fraque e a sua jovem amiga. Cheia de rimas como quimera e primavera. Com passos e compassos, ah quem me dera. Talco nos decotes, virgens suspirosas e uma sugestão de intriga.
Os parágrafos seriam verso e figurações. No meio um lustre, na tuba um gordo e em cada peito mil palpitações. Os namorados trocariam olhares. As tias e os envergonhados nos seus lugares. E de repente uma frase perderia o fio, soltando sílabas por todos os salões.
A segunda parte me daria um nó.
Os pares param, o maestro espera e ninguém tem dó.
Dou ré, vou lá, já não caibo em mi.
E então decreto - vá fá - é cada um por si!
Um, dois, três.
Um, dois, três.
A minha orquestra seria toda de professores. Um de desenho, três de latim, cinco de português e todos amadores. O baterista cheiraria coca. O contabaixista não parece o Loca? E o gordo da tuba um duque da Bavária nos seus últimos estertores.
Um cadete rouba o amor da filha de um magnata. Pescoço de alabasto, boca de rubi e os olhos de uma gata. O namorado, despeitado, urde sua vingança. É quase meia-noite e segue a contradança. O pai da moça dorme nos seus sete queixos e sonha com uma negociata.
No avarandado branco, onde vão ver a Lua.
A moça e o cadete, que a imagina nua,
Beijam-se perdidamente a três por quarto.
E o segundo traído sou eu, que não encontro rima para "quatro".
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Um violinista, de improviso, olha o relogio e perde um bemol. Faltam poucas linhas para acabar meu espaço e surgir o sol. Lá¡ fora, o par apaixonado. De tanto amor nem olha pro lado. Não vê o despeitado que se aproxima, quieto e encurvado como um caracol.
Eu mesmo me concedi esta vala e, portanto tenho a decisão. Que arma usará o traído na sua vil ação?Uma adaga, fina e reluzente?Combina mais com o requintado ambiente. Mas se errar o passo e o alvo o vilão e, abrindo um filão, conspurcar o alvo chão?
Um tiro na nuca é mais ligeiro
Mais prático, moderno e certeiro.
Mas, meu Deus, o que é que estou fazendo?
Comecei com uma singela valsa e já tem gente morrendo!
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Eu só queria fazer uma crônica como uma valsa antiga. Que rodopiasse pela página como um comendador cansado e sua compreensiva amiga. Cheia de rimas sem compromisso aparente. Nem com couro, nem com prata, nem com a crise do Ocidente. Decotes bocejando. Virgens sonolentas e nem uma sugestão de briga.
Um, dois, três.
Etc.
Luiz Fernando Veríssimo
Ciao
(Marlon)
Os parágrafos seriam verso e figurações. No meio um lustre, na tuba um gordo e em cada peito mil palpitações. Os namorados trocariam olhares. As tias e os envergonhados nos seus lugares. E de repente uma frase perderia o fio, soltando sílabas por todos os salões.
A segunda parte me daria um nó.
Os pares param, o maestro espera e ninguém tem dó.
Dou ré, vou lá, já não caibo em mi.
E então decreto - vá fá - é cada um por si!
Um, dois, três.
Um, dois, três.
A minha orquestra seria toda de professores. Um de desenho, três de latim, cinco de português e todos amadores. O baterista cheiraria coca. O contabaixista não parece o Loca? E o gordo da tuba um duque da Bavária nos seus últimos estertores.
Um cadete rouba o amor da filha de um magnata. Pescoço de alabasto, boca de rubi e os olhos de uma gata. O namorado, despeitado, urde sua vingança. É quase meia-noite e segue a contradança. O pai da moça dorme nos seus sete queixos e sonha com uma negociata.
No avarandado branco, onde vão ver a Lua.
A moça e o cadete, que a imagina nua,
Beijam-se perdidamente a três por quarto.
E o segundo traído sou eu, que não encontro rima para "quatro".
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Um violinista, de improviso, olha o relogio e perde um bemol. Faltam poucas linhas para acabar meu espaço e surgir o sol. Lá¡ fora, o par apaixonado. De tanto amor nem olha pro lado. Não vê o despeitado que se aproxima, quieto e encurvado como um caracol.
Eu mesmo me concedi esta vala e, portanto tenho a decisão. Que arma usará o traído na sua vil ação?Uma adaga, fina e reluzente?Combina mais com o requintado ambiente. Mas se errar o passo e o alvo o vilão e, abrindo um filão, conspurcar o alvo chão?
Um tiro na nuca é mais ligeiro
Mais prático, moderno e certeiro.
Mas, meu Deus, o que é que estou fazendo?
Comecei com uma singela valsa e já tem gente morrendo!
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Eu só queria fazer uma crônica como uma valsa antiga. Que rodopiasse pela página como um comendador cansado e sua compreensiva amiga. Cheia de rimas sem compromisso aparente. Nem com couro, nem com prata, nem com a crise do Ocidente. Decotes bocejando. Virgens sonolentas e nem uma sugestão de briga.
Um, dois, três.
Etc.
Luiz Fernando Veríssimo
Ciao
(Marlon)
Recomendo
terça-feira, 4 de março de 2008
Filme: Castelo Mal Assombrado (Filme ruim, mas tive que por)
Música: Cordel do fogo encantado - Preta (Mas só cantando acompanhado imitando o sotaque do cantor..)
........
Música: Cordel do fogo encantado - Preta (Mas só cantando acompanhado imitando o sotaque do cantor..)
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Perfeição..
Independente dessas pseudo-justificativas que agente sugere pra nossa vida..A perfeição nunca é a melhor opção..
Quero uma vida perfeita.
Pra que? Um filho perfeito por exemplo...O que seria um pai pra um filho perfeito? Um mero observador...Acompanhante sei lá...
Uma esposa perfeita pra um marido perfeito seria estressante a rotina de não ter o que consertar... e pra um marido imperfeito, frustrante não correponder a tanta perfeição...
Um trabalho perfeito geraria acomodação..
Perfeição não pode ser associada a facilidade. Não é perfeito conseguir tudo o que quer..Nem que tudo corra bem...
Não dá nem pra deixar claro todos os aspectos da perfeição...
O perfeito deveria ser substituido pelo ideal. O perfeito é exato..O ideal maleável...e implica no imperfeito...
Conclusão: O ideal seria que o perfeito fosse imperfeito.
O ideal seria parar de se preocupar com o que não correponde às expectativas..
O ideal seria pensar na solução, e não no que gerou o problema..
O ideal seria fazer com que as coisas não parem de evoluir..
O ideal seria deixar que as coisas acontecessem de forma natural...
O ideal seria nem pensar nisso...
ai ai ai...
Ciao
(Marlon)
Quero uma vida perfeita.
Pra que? Um filho perfeito por exemplo...O que seria um pai pra um filho perfeito? Um mero observador...Acompanhante sei lá...
Uma esposa perfeita pra um marido perfeito seria estressante a rotina de não ter o que consertar... e pra um marido imperfeito, frustrante não correponder a tanta perfeição...
Um trabalho perfeito geraria acomodação..
Perfeição não pode ser associada a facilidade. Não é perfeito conseguir tudo o que quer..Nem que tudo corra bem...
Não dá nem pra deixar claro todos os aspectos da perfeição...
O perfeito deveria ser substituido pelo ideal. O perfeito é exato..O ideal maleável...e implica no imperfeito...
Conclusão: O ideal seria que o perfeito fosse imperfeito.
O ideal seria parar de se preocupar com o que não correponde às expectativas..
O ideal seria pensar na solução, e não no que gerou o problema..
O ideal seria fazer com que as coisas não parem de evoluir..
O ideal seria deixar que as coisas acontecessem de forma natural...
O ideal seria nem pensar nisso...
ai ai ai...
Ciao
(Marlon)
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